Em 2002, quando Chevy Crespo começou a escalar no Equador, a primeira subida foi no ginásio local de Chorrera de San Juan. Naquele tempo, a montanha de Castillo para Fiona (7b) era a rota mais difícil que existia no país.
Três anos depois, Chevy viajou para a China para o primeiro campeonato juvenil que ele iria disputar. Quando viu outros escaladores, particularmente os espanhóis, isso mostrou ser uma virada para ele. “No Equador, a gente tinha uma escalada muito limitada e ter um crescimento era muito difícil”, lembra Chevy.
Com pouco conhecimento e sem uma instrução avançada, Chevy percebeu que passar mais tempo com os europeus iria impulsionar a escalada dele. “Na Espanha existiam os melhores do mundo: Ramón Julián, Patxi Usobiaga, Dani Andrada e mais!”
Assim que ele completou 18 anos, Chevy viajou para a Espanha para estudar Publicidade e Relações Públicas na Universidade de Navarra. Entre um estudo e outro, ele escalou o maior número de competições que ele podia, mas, além disso, ele também aproveitou para escalar por toda a Espanha. “Depois de seis anos de competições, a escalada outdoor em rochas era um novo esporte para mim”, disse Chevy ao comentar que os padrões da Espanha o fizeram abrir os olhos. “Com o passar dos anos, consegui fazer minha primeira escalada de oito rotas e foi quando eu pensei que, esperava, algum dia escalar montanhas de graus 8c ou até fazer uma 9a”.
Esta experiência expandida de escalada na Europa fez Chevy querer trazer estas experiências para casa, no próprio Equador. Ele avistou a possibilidade de abrir novas rotas pelo país e escalar a primeira rota 9a no Equador. Penhascos ainda não descobertos cobriam o país, com muitos deles localizados em altas altitudes, entre 3.800 e 5.000 metros.
Em San Juan, Felipe Camargo estabeleceu e fez a primeira subida de Young Wild & Free (8c), a rota mais difícil no país, que Chevy fez a segunda subida. Chevy procurava por algo mais difícil.
Na última visita dele ao Equador, Chevy focou a busca dele ao se juntar aos escaladores locais de Cogitando, Davicho e Dani Durán. Esta equipe explorou um projeto de três anos em Cuenca, ao buscar um paredão de 17 metros e o 50o a ser dependurado. Depois de uma pausa, eles redirecionaram os bolts, ao procurar por uma linha que fosse mais natural e escalável. Depois de oito dias de trabalho intenso, eles equiparam uma linha com movimentos difíceis.
Chevy rapidamente decifrou cada boulder, mas juntar os quatro crux boulders sem descanso provou ser difícil. Depois de muitos dias de trabalho, Chevy fez a primeira subida em Flor de Papel. “Foi um ótimo progresso! Foi muito divertido e excitante dividir isso com os amigos que eu não via faz anos!”. Chevy passou mais tempo nesta rota do que em Young Wild & Free e os movimentos pareciam mais difíceis, então, ele decidiu graduar a rota com o grau de 8c+, o que a tornou a mais difícil do Equador.
Com esta escalada e ainda mais potencial, Chevy quer elevar o potencial da comunidade do país. “Existem muitos atletas talentosos e pedras virgens para serem abertas, mas são poucas pessoas que as desenvolvem”, disse Chevy. “Espero que depois de mandar Flor de Papel apareçam mais rotas difíceis e espero que venha a primeira 9a no Equador”.
Graças ao desenvolvimento e comprometimento de escaladores, como Chevy e outros equatorianos que fizeram primeiras escaladas, a comunidade aumentou significadamente desde a primeira subida de Castillo para Fiona, feita por Chevy.
